A DIVINA COMÉDIA POR SEJKKO

Um homem chamado Tarkko vive num lugar muito distante. Numa tarde, de um dia no ano 4321, ele está a fazer a viagem de regresso a casa. Tarkko tinha acabado de assimilar um poema escrito três mil anos atrás, a Divina Comédia, escrita por um homem chamado Dante.
No caminho, Tarkko nota que o sol Ayla já estava escondido por trás do horizonte, e pensou como em algumas horas o outro sol, Ulla, faria o mesmo. Ele faz uma pausa, para observar o mar cor de rosa, imenso, à sua frente. A sua mente e seu coração criam uma estranha ponte no tempo e no espaço, que o ligava àquele outro homem que se encontrava frente às portas do inferno. Era Dante, que nesse momento levava nas mãos as lágrimas imortais de sua amada Beatriz, e tinha à sua frente três forças da natureza: um leão, uma pantera e uma loba. Para Tarkko, a ideia do inferno Dantesco é um conceito totalmente estranho. Ele sabe que isso corresponde simplesmente aos ciclos que toda a alma atravessa para chegar à sua forma mais evoluída.

Dante começa sua viagem no purgatório, enquanto Tarkko continua a voar, e a olhar para as terras chãs do seu planeta, e para os milhões de pontos que parecem as palmeiras douradas gigantes vistas de cima.

A ideia do purgatório também era alheia ao mundo de Tarkko, ainda que um pouco mais compreensível. Para Tarkko o purgatório não é castigo pelos pecados cometidos, mas sim o lugar onde as almas aprendem lições fundamentais para adquirir a sua forma final. Domar o ego, deixar o universo andar, e confiar. O mundo de Tarkko entende que falhar em qualquer destes três pontos significa o parar das dinâmicas do universo. Nesse momento Tarkko quase sente que Beatriz está sentada à sua frente. Ele sabia que ela, nesse passado tão distante, era como ele, membros da mesma tribo.

Tarkko respira fundo, e a olhar para as estrelas, reflecte no sobre saber que aquilo que é verdade, sempre foi e sempre será verdade.

Nesse momento, o ar parece cheio de minúsculas centelhas vibrando em alta frequência. Estão por todo o lado, mas também no centro do seu peito. Tarkko não sabe que se está a passar. Olha para suas mãos, e de repente apercebe-se, Tarkko e Dante são a mesma pessoa. Essas mãos são muito antigas. Ele tinha vivido, morrido, voltado a viver uma e outra vez. Tarkko levanta os olhos e encontra Beatriz à sua frente. A frequência da centelhas aumenta, mais e mais.

Tarkko tenta mover o corpo, e descobre que ele e Beatriz começam a mover-se em uníssono. Ele nunca se sentiu tão inteiro. As fronteiras do seu corpo desaparecem. Uma nova consciência começa a expandir-se, ligada directamente à fonte de toda luz. Uma nova galáxia nasce, o universo infinito tornou-se bastante maior.

 

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