Catarina Gentil

Biografia

Catarina Gentil (1998, Portugal) estudou Artes Plásticas, com especialização em escultura, na Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Porto finalizando o curso como a aluna com a melhor média final, em 2020. Em 2021, foi estagiária no Museu de Arte Moderna Peggy Guggenheim, em Veneza, e atualmente trabalha para a RAMA Studios.

Acredita que fazer e partilhar arte é um processo de, não apenas visualizar, mas de sentir, compreender e refletir as interligações entre o mundo, os outros, e nós próprios. Guiando-se por conceitos como a memória, a natureza, o doméstico e a condição humana, desenvolve um trabalho com o objetivo de realçar as pequenas e belas normalidades da vida. Normalidades que, apesar de aparentemente insignificantes, são a dimensão onde é possível encontrar ecos das experiências dos outros. Uma memória individual que é, também, coletiva.

Com uma prática assente na ideia de ritual e gesto, trabalha a recontextualização de objetos já existentes, combinando-os com matérias (geralmente naturais), de modo a criar um diálogo simbólico entres as partes. Um corpo de trabalho com uma linguagem poética e inspirada na nossa relação com o mundo.

Ainda de Pé

A Greve Global pelo Clima é um movimento internacional de estudantes que faltam às aulas nas sextas-feiras ao participarem em manifestações para exigir ações dos líderes políticos a fim de evitar as mudanças climáticas. Esta casa de cartão, construída com os cartazes utilizados nas marchas realizadas em Portugal, é a representação física das frustrações, sonhos e vontades de uma geração.

Onde existem pessoas, existe a casa. O lar é tão essencial à existência humana que poderíamos dizer que são a extensão um do outro. A casa é ao mesmo tempo passado, presente e futuro; é construída sobre pensamentos, sonhos e medos. É uma das necessidades mais básicas e um dos direitos mais importantes, é o símbolo de um futuro seguro, é estrutura, felicidade e conforto.

Como cicatrizes, as costuras que ligam os cartazes demonstram uma dedicação e esperança desesperada por entre a brutalidade da realidade. Estes objetos carregados de intenções formam paredes e telhado, uma casa nascida entre o desespero e a esperança. Dentro existe luz, existe vida, mas essa luz trespassa e expõe as rachas escondidas na estrutura. Esta é um eco de uma casa, uma sombra do que poderia, deveria ser. A representação de um futuro que parece já estar no seu fim, mesmo antes de começar. Instável na sua estrutura, fraco nas suas paredes, mas que se mantém de pé, por agora. Incerto num mundo ameaçado pelas alterações climáticas e pela indiferença daquelas que mais deveriam agir.
É o símbolo da luta da nossa geração, uma luta pelo nosso planeta, pela sustentabilidade, pelo equilíbrio. O símbolo de uma juventude sem recursos, mas, que na mesma, luta. Luta por mais. Mais ação, mais prevenção, mais tempo, mais futuro, mais natureza, mais sustentabilidade.

Uma casa feita de desejos, mas construída sobre incertezas. Ainda aqui.

Ainda de pé.

Ficha Técnica

Tipo – Escultura
Técnica – Costura sobre cartão
Dimensões – 284x280x330 cm