No âmbito da 7ª edição da iniciativa “A Arte Chegou ao Colombo”, o Centro recebeu, pela primeira vez, num espaço comercial, as obras de Paula Rego, uma das artistas portuguesas contemporâneas mais reconhecidas a nível mundial.
Paula Rego desenvolveu uma linguagem figurativa pessoal. É através do vasto universo das histórias – dos contos tradicionais portugueses aos contos de fada; dos romances da literatura portuguesa e inglesa, das peças escritas para teatro ou adaptações destas histórias para o cinema de Walt Disney – que a sua pesquisa figurativa pela via fantasia e da imaginação adquire, na sua obra, uma importância maior.
O universo das histórias está sempre presente na sua pintura narrativa e isso é assumido pela própria artista quando diz “A história inicial, de fora, permite-nos acordar histórias do nosso próprio mundo”. Todavia, este encontro com as histórias que se contaram nesta exposição – Jane Eyre, Pinóquio, Príncipe Porco, Gata Branca, Peter Pan – nunca se traduz numa tentativa de ilustrar a palavra, a literatura, ou as imagens cinematográficas; mesmo quando a construção das suas narrativas pictóricas passa por uma relação direta com as histórias que vêm do universo literário, transformam-se noutras histórias ou ganham um novo sentido ao articularem-se, na tela ou no papel, com elementos e histórias que apenas à autora dizem respeito. Assim é porque a sua abordagem é marcadamente autoral e, muitas vezes, autorreferencial e, por esta razão, as obras deixam de se submeter, numa delineada estratégia de transgressão, às suas referências exteriores (aos textos originais).
Paula Rego nasce a 26 de janeiro de 1935, em Lisboa. Oriunda de uma família republicana e liberal com ligações às culturas inglesa e francesa, ingressa, no ano de 1945, na St. Julian’s School, em Carcavelos, residindo durante a sua infância e adolescência no Estoril.