Tito Chambino

Biografia

Tito Chambino, nasceu em 1996 na cidade de Castelo Branco. Licenciou-se em Pintura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, no ano de 2019, e, atualmente, divide a sua atividade profissional enquanto artista plástico e professor. No domínio das artes plásticas, existe – na sua obra – um pendor maioritariamente escultórico e um intento constante pela perfeição.

Subjacentes ao seu trabalho estão questões em torno da matéria e da forma – onde o uso do ferro se apresenta como uma inevitabilidade e onde a redução estrutural revela a verdadeira essência da obra. Paralelamente ao processo de sintetização e subtração, encontra-se a reconfiguração do espaço através de uma superfície que abrange uma dimensão poética e reminiscente, sendo que, a memória, a morte, o silêncio, o peso, a leveza, a ordem, a verticalidade e a transcendência estão na génese do pensamento que formula os elementos constituintes da práxis artística.

Entre o sagrado e o profano

A obra escultórica “Entre o sagrado e o profano” resulta – segundo uma perspetiva formal – de um reaproveitamento matérico, onde o ferro utilizado é proveniente do desperdício de uma escultura antecedente. Através do excesso e de uma simplificação estrutural alcança-se uma nova unidade. Para mediar essa singularidade, estabelece-se, em primeira instância, um processo de desconstrução/fragmentação e, num segundo momento, um processo de construção ancorado no preceito de reduzir tudo à sua essência.

Apela-se a uma sustentável leveza do ser, onde a sustentabilidade é subtendida através de dois domínios centrais: (i) a fase de construção e (ii) e montagem da obra no espaço expositivo. Relativamente ao segundo ponto, afere-se que a sustentabilidade é obtida através da suspensão da obra escultórica num canto, que induz o espectador a uma experiência hermética – a passagem do tangível para o invisível, o ponto de convergência entre o que é material e o que é espiritual. Se por um lado, o que é material – na obra – evoca o peso que lhe é inerente, por outro, a sua suspensão – ainda que parcial – apela à leveza, sendo igualmente apresentada a noção de singularidade como um todo – a unicidade enquanto experiência da totalidade e a totalidade enquanto resultado de um tempo que lhe pertence.

No final do dia tudo se resume ao tempo, tudo se resume à forma como o tempo se expande, sustém e intervém diretamente sobre nós. Contudo, assim como o tempo intervém diretamente sobre o ser humano, ele também intervém diretamente sobre a obra, e a oxidação é um reflexo direto dessa ação temporal e da mudança climatérica que a compele. A obra encontra-se em constante mutação. O ferro perde a sua cor original, perde a sua pureza, e a ferrugem apropria-se dele enquanto o mesmo continua no seu canto suspenso, no seu refúgio taciturno. Somam-se os dias e subtrai-se o tempo que ainda nos resta, tal como se tratasse de uma ampulheta – ampulheta essa que corresponde à visão frontal que temos da obra.

Ficha Técnica

Tipo – Escultura
Técnica – Escultura em Ferro Oxidado
Dimensões – 125 x 125 x 61,5 cm