Eterno feminino: 8 mulheres que marcaram a nossa História

O Dia Internacional é delas, e são elas que ajudaram a escrever estas linhas. Hoje, recordamos algumas personalidades no feminino que inscreveram o seu nome na História de Portugal.

Há 44 anos, a ONU proclamava este dia, 8 de março, como o Dia Internacional da Mulher. Não há consenso no motivo pelo qual este dia surgiu. Se por um lado há quem diga que serviu para recordar a importância da mulher na sociedade, por outro há quem não hesite em afirmar que é o dia em que devemos recuar na história e relembrar as várias lutas feministas contra o preconceito, seja ele de género, político, cultural ou económico. Na história de Portugal, muitos capítulos foram escritos – e vividos – por grandes mulheres que, de várias formas, ajudaram a fazer o Portugal que conhecemos hoje. Selecionámos oito das muitas que lutaram para que hoje pudéssemos ser mulheres mais livres, felizes e independentes.

 

Rainha Santa Isabel

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Lembrada por muitos pelo “Milagre das Rosas”, Isabel tinha 11 anos quando foi prometida em casamento ao rei D. Dinis. Desde cedo que a sua personalidade se fez notar pelos valores mais humildes: era culta, sensível, corajosa, mas, acima de tudo, generosa. A rainha tentava sempre ajudar os mais necessitados. Alimentou vários pobres durante a grande fome que assolou Coimbra em 1293, com farinha do seu próprio celeiro; pagava os dotes de raparigas necessitadas e a educação dos filhos de fidalgos sem posses. Criou instituições para acolher e auxiliar doentes, mandou edificar hospitais em Coimbra, Santarém e Leiria, bem como albergarias para mulheres.

 

Maria II

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Com sete anos viu o seu pai a abdicar do trono de Portugal a seu favor. Casou, mais tarde, com o seu tio D. Miguel, nomeado regente e lugar-tenente do reino em 1826. Foi através de um levantamento absolutista liderado pelo regente que, a 23 de Junho de 1828, este se auto-proclamou rei de Portugal.

Foi apenas quando terminaram as Guerras Liberais que D. Maria assumiu o governo de Portugal, a 24 de setembro de 1834, apenas com 15 anos de idade. Este reinado – marcado pela sua coragem – foi bastante atribulado pela guerra civil e por revoltas militares (Marechais) ou populares (Maria da Fonte e Patuleia). Mãe de onze filhos, acabaria por falecer no último parto.

 

Adelaide Cabete

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Acredita-se que Adelaide tenha impulsionado, com sucesso, muitas outras a reivindicarem os seus direitos, uma vez que foi pioneira nisso. Esteve mais de 20 anos na presidência do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde reivindicou o direito de todas as mulheres terem um mês de descanso antes do parto e também o direito a votar.

Adelaide Cabete foi a primeira e única mulher a votar em Luanda, onde viveu, sob a nova Constituição Portuguesa.

 

Carolina Beatriz Ângelo

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E por falar no direito ao voto, não nos podemos esquecer desta mulher: a primeira a votar em Portugal.

Numa época em que apenas os cidadãos portugueses, com mais de 21 anos, alfabetos e chefes de família podiam votar, Carolina usou a inteligência e o poder da argumentação para conseguir um direito hoje consagrado a todos.

Mas este não foi o seu único feito. Na história de Portugal foi também a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de S. José, em Lisboa, sob a orientação de Miguel Bombarda. Também foi Membro da Maçonaria e da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, onde costurou, juntamente com Adelaide Cabete, a bandeira da República Portuguesa hasteada a 5 de Outubro de 1910.

 

Florbela Espanca

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“Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui… além…
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente…
Amar! Amar! E não amar ninguém!”

Batizada como Flor Bela Lobo, a poetisa optou por escolher outra assinatura para as suas obras. Foi como Florbela d’Alma da Conceição Espanca que escreveu os mais famosos e emblemáticos poemas, guardados a sete chaves na nossa história da literatura. Sempre com um sentimento de tristeza, inquietudes e sofrimentos, as suas obras são hoje estudadas e lidas em quase todas as salas de aula.

 

Amália Rodrigues

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Cantora e atriz, levou o fado consigo pelo mundo inteiro e fez dele o maior estandarte de Portugal. Intuitiva, perspicaz, profunda e carismática, Amália Rodrigues é uma figura incontornável da nossa história, e foi muito além da música. Nasceu numa “casa portuguesa, com certeza”!

 

Maria de Lourdes Pintasilgo

8 Mulheres da História de Portugal

Um nome sonante que viria a ganhar força em 1979, quando o Presidente da República de então, Ramalho Eanes, a convidou para o cargo de primeiro-ministro, a primeira (e ainda a única) na história de Portugal.

A engenheira química, que liderava movimentos feministas e estudantis, ocupou esse cargo apenas durante seis meses, mas apesar desse curto tempo ainda conseguiu estabelecer as bases para um sistema de segurança social para todos, empregados ou desempregados.

Ana de Castro Osório

8 Mulheres da História de Portugal

Impulsionou a literatura infantil e é conhecida pela primeira vaga feminista da história de Portugal.

Começou por publicar vários contos em pequenos folhetos e, mais tarde, faria nascer a literatura infantil em Portugal, através de várias publicações e peças de teatro. Ana Osório foi também uma das primeiras cronistas no feminino a exprimir-se sobre causas sociais.

Em 1905, publicou “Às Mulheres Portuguesas”, o primeiro manifesto feminista português.

 

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