Não espere que “Rogue One” seja Star Wars

Nada tema, este texto qualquer spoiler não terá. Palavra de Yoda.

A boa notícia é que até 2020 haverá filmes do universo “Star Wars”. A má notícia é que nem todos serão “Star Wars”— vêm aí aventuras de um jovem Han Solo e até uma centrada em Boba Fett. “Rogue One: Uma História de Star Wars” foi olhado com esta desconfiança mas no dia em que estreia em Portugal, esta quinta-feira, 15 de dezembro, podemos dizer que a prova foi superada com sucesso.

Não, “Rogue One não é o novo Star Wars” mas encaixa-se na perfeição nas sete partes que já estão para trás.

Um grupo da Rebelião embarca numa missão para roubar os planos da Estrela da Morte, que podem ajudar a destruir esta que é a arma mais mortífera de sempre, capaz de acabar com planetas inteiros. A fórmula não é nova — aqui a dupla de heróis e protagonistas é composta por Jyn Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna) mas já tivemos Leia (Carrie Fisher) e Luke (Mark Hamill), Padmé (Natalie Portman) e Anakin (Hayden Christensen) ou até Rey (Daisy Ridley) e Finn (John Boyega) — mas a verdade é que continua a funcionar.

A narrativa acontece entre “Star Wars: Episódio III — A Vingança dos Sith” e “Star Wars: Episódio IV — Uma Nova Esperança”, o que significa que tem de, pelo menos, saber o que se passa na trilogia de Anakin e Padmé para se situar facilmente.

Jyn Erso é uma personagem que tem de se tornar mulher e endurecer sozinha. Ainda assim, mostra menos vulnerabilidade do que Rey, o que pode fazer com que os espectadores demorem a sentir alguma empatia por ela. Felicity Jones não pode ser responsabilizada por isso, a sua prestação é extremamente competente, apoiada pelo charme de Diego Luna, cujo sotaque espanhol não é (e bem) disfarçado.

Forest Whitaker tem um papel pequeno como Saw Gerrera mas intimidante, Mads Mikkelsen é igual a Mads Mikkelsen (quando é que este homem está mal?) e mais não podemos dizer sobre ele.

Riz Ahmed termina em grande o ano de 2016. Depois de ter protagonizado uma das melhores séries do ano, “The Night Of”, é agora Bodhi Rook, um piloto que parece por vezes desorientado mas que arrisca a própria vida por um bem maior. Forest Whitaker tem um papel pequeno como Saw Gerrera mas intimidante, Mads Mikkelsen é igual a Mads Mikkelsen (quando é que este homem está mal?) e mais não podemos dizer sobre ele. Donnie Yen e Wen Jiang protagonizam uma dupla poderosa em despertar emoções no público — o primeiro é Chirrut, uma espécie de Jedi cego esquecido nas ruas de Jeddha, o segundo é Baze Malbus, o homem que está sempre lá para salvar o amigo.

O lado do mal é liderado por Ben Mendelsohn, o diretor Krennic, e que pena não terem dado ainda mais espaço a este ator para brilhar. Ele é um vilão, claro, mas um que se limita a gritar e a distribuir ordens. Não o vemos numa cena realmente complexa e forte, a não ser nos confrontos com Jyn Erso e com Darth Vader (sim, ele aparece, mas isto não é um spoiler, já se sabia).

“Rogue One: Uma História de Star Wars” é enorme, tem 2h13, mas não se torna aborrecido.

Todos os minutos são para aproveitar, até porque “Star Wars: Episode VIII” só estreia a 14 de dezembro de 2017 em Portugal, e o ritmo do filme nunca esmorece, apesar da segunda parte ser ainda mais empolgante do que a primeira.

O carimbo de “Star Wars” está sempre presente, nunca se tornando forçado mas sim familiar e reconfortante. Há mensagens secretas em hologramas, robots sarcásticos — neste caso é só um, K-2SO, mas ocupa perfeitamente a cena sozinho —, mortes que nos custam e caras conhecidas, mais do que aquelas que esperávamos.

O britânico Gareth Edwards, que ainda só tinha realizado duas longas-metragens (“Monsters — Zona Interdita” e “Godzilla”), já pode dormir descansado. Ao seu trabalho não podem ser apontadas falhas significativas e tudo foi ajudado por efeitos especiais muito realistas.

Não podemos (nem queremos) dizer-lhe como termina “Rogue One: Uma História de Star Wars” — para viver a experiência ao máximo, o melhor é ir completamente às escuras — mas conseguimos adivinhar mais ou menos a sua reação final:

“Não… não pode ser. Pode? Não… Ó Meu Deus, será? E agora?”

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