Uma mala é muito mais do que um mero acessório de moda. Antes das roupas terem bolsos, os objetos de valor eram transportados em diversos tipos de bolsas de couro, regalos ou até mesmo nas mangas. Na viragem do século XVII, os primeiros bolsos começaram a ser costurados nas roupas masculinas, onde se podia guardar dinheiro, documentos pessoais e amuletos. As bolsas femininas às vezes pendiam de correntes preciosas na cintura ou escondidas nas dobras das roupas.
A partir daí, os pequenos objetos passaram a ser transportados em bolsas separadas. Desta forma nasceram as primeiras malas femininas. Os caminhos-de-ferro uniram a Europa no século XIX e, com este desenvolvimento, novos tipos de malas surgiram como necessários para facilitar as viagens. No entanto, a verdadeira moda das malas ganha força apenas no século XX. A moda foi influenciada pela arte, pelas tendências, pelos novos materiais e pelas mudanças sociais, como o aumento do emprego das mulheres, tudo a um ritmo cada vez maior.
Carry Me – 100 anos de malas conta a história das malas ao longo de cem anos. Se antes a mala era apenas um objeto prático, hoje pode ser usada para contar muito sobre cada um. À medida que a sociedade muda, também mudam as malas. A cultura pop, a música e as celebridades têm um enorme impacto na moda. As tendências de vários tipos de malas vão e vêm, enquanto algumas permanecem e tornam-se itens de luxo procurados pelas massas. Os modelos clássicos muitas vezes nascem graças aos seus célebres utilizadores, como Grace Kelly, Jacqueline Kennedy, Princesa Diana e Sarah Jessica Parker (Carrie Bradshaw – Sex and the City).
“Considero indispensável ter pelo menos uma mala para os dez eventos sociais seguintes: muito formal, menos formal, apenas um pouco formal, informal, mas não completamente informal, todos os dias, dia sim, dia não, viagens de dia, passeios noturnos. Visitas ao teatro e compromissos”
– Miss Piggy
Evolução das malas desde a pré-história até a década de 1920:
– Na pré-história, diferentes tipos de bolsas serviam para guardar raízes, ervas e bagas.
– Antes dos bolsos, homens e mulheres transportavam os seus objetos de valor em diversos tipos de bolsas, regalos e até nas mangas.
– Na Idade Média, antes de serem inventadas as malas, usavam-se bolsas de cinto para carregar pertences pessoais e mantimentos. Essas bolsas ficavam presas ao cinto e, geralmente, eram feitas de couro, seda ou metal.
– No Renascimento o uso destas bolsas tornou-se cada vez menor (devido aos bolsos das calças). Naquela época, as bolsas eram usadas para mostrar riqueza e para disfarçar os odores corporais. Eram feitas de metais preciosos e linho, e faustosamente adornados com pérolas e jóias. Lá dentro enchiam-se de flores, ervas e especiarias doces e calmantes.
– As mulheres penduravam as suas bolsas em correntes à cintura, que também serviam para pendurar chaves ou tesouras. Essas correntes foram utilizadas até ao final do século XIX.
– As bolsas femininas também podiam ser escondidas nas dobras das roupas largas.
– Com o surgimento do estilo imperial, as malas passaram a ser transportadas na mão.
– As mulheres geralmente costuravam e bordavam as suas próprias malas de rede.
– No século XIX, os caminhos-de-ferro unificaram a Europa e os viajantes precisavam de novos tipos de malas.
– A industrialização e a maior facilidade de circulação criaram a necessidade de inventar novos formatos de malas para viajar. Com o boom do comércio e uma sociedade em rápida expansão, uma nova geração de empresários de classe média precisava de algo para transportar os seus papéis, de um lado para o outro, mesmo no escritório. Graças aos avanços das indústrias têxtil e metalúrgica, surgiram a pasta e a mala de viagem, criadas por designers.
– Na década de 1920, a mala de mão tornou-se o acessório de moda indispensável para todas as mulheres.