No âmbito do 15.º aniversário da iniciativa “A Arte Chegou ao Colombo”, o Centro Colombo apresenta, de 27 de junho a 31 de agosto de 2025, a exposição “Mergulho. As paisagens de Vanessa Barragão”. Esta mostra reúne obras inéditas e já existentes da artista têxtil portuguesa, cuja obra alia sustentabilidade, tecnologia e poesia visual.
Com raízes na tradição artesanal e uma profunda consciência ecológica, Vanessa Barragão transforma resíduos da indústria têxtil em paisagens subaquáticas têxteis, utilizando técnicas como crochê, feltragem e tecelagem. O seu trabalho cruza a recuperação do saber-fazer manual com a urgência ambiental, propondo uma visão crítica e, ao mesmo tempo, poética, do mundo natural. Cada obra é, por isso, de certa forma, um gesto de reparação simbólica — do planeta, das práticas humanas e da nossa relação com a natureza.
A exposição convida a mergulhar no universo criativo de Vanessa Barragão através de três salas temáticas. Uma viagem, simultaneamente, sensorial e reflexiva.
O espaço Cubo Branco é um lugar onde o gesto artesanal ganha protagonismo. Revelam-se os materiais, as texturas, os detalhes e as cores que acompanharam o desenvolvimento da obra da artista, sublinhando a dimensão manual, meditativa e profundamente intuitiva do seu processo criativo — frequentemente associado ao universo feminino.
A Sala Imersiva é um mergulho profundo na estética de Vanessa. Grandes tapeçarias evocam corais e paisagens subaquáticas, criando um espaço envolvente de beleza sensorial. A imagem em movimento, a luz e o som amplificam a experiência, sublinhando a fragilidade dos ecossistemas e a emergência da sua preservação.
A Sala Atelier abre as portas ao universo criativo da artista, revelando o trabalho lento, minucioso e intergeracional que vai construindo cada nova paisagem, por entre referências reais e lugares imaginários. Desenhos, estudos, matérias e peças em elaboração mostram o compromisso de Vanessa Barragão com o reaproveitamento e com a valorização dos processos manuais enquanto prática artística e política. Aqui, o fio é o início de tudo.
Sob a cúpula envidraçada do Colombo, a artista apresenta, ainda, uma instalação site-specific inspirada na obra “Diving into Dreams”, evocando a fluidez do oceano e o estado de transição entre o sonho e a vigília.
Biografia Vanessa Barragão
Vanessa Barragão é uma artista têxtil portuguesa cujo trabalho reflete um profundo compromisso com a sustentabilidade, a natureza e a preservação ambiental. Nascida em Albufeira, cidade costeira no sul de Portugal onde atualmente mantém o seu estúdio, as suas criações são fortemente influenciadas pela presença do oceano e têm como inspiração a paixão pelas técnicas manuais, herdada das avós e da tradição familiar.
A partir da reciclagem de lã e fibras sintéticas, e recorrendo a técnicas ancestrais como a feltragem, o crochê, o bordado e outras manipulações têxteis, Vanessa cria peças que evocam paisagens orgânicas e subaquáticas. Inspirada por experiências pessoais, como viagens de infância ao Caribe onde testemunhou a degradação dos recifes de coral, desenvolveu uma consciência ambiental que orienta todo o seu processo criativo. Para Vanessa, a arte é uma ferramenta poderosa para sensibilizar sobre os efeitos da poluição, do consumo excessivo e da importância de preservar técnicas e trabalhos manuais antigos.
O trabalho de Vanessa não é só um reflexo da sua paixão pelo planeta, mas também um convite à mudança. Cada peça, criada com tempo, paixão e dedicação, é única e imprevisível, simbolizando a delicadeza e complexidade do mundo natural. Através da sua arte, procura inspirar o público a adotar práticas mais sustentáveis, repensar hábitos de consumo e contribuir para a proteção do planeta e dos seus ecossistemas. Todos os materiais utilizados são 100% reciclados, provenientes de resíduos da indústria têxtil nacional.
Reconhecida pelo seu trabalho têxtil sustentável, Vanessa idealiza e cria paisagens visuais conjeturais e visionárias que evocam, de forma quase biomimética, a exuberância dos ecossistemas marinhos e o potencial regenerativo da natureza. Tem exposto em cidades como Sydney, Nova Iorque, Londres e Tóquio, sendo autora de “Coral Vivo”, oferecido por Portugal às Nações Unidas ou de “Botanical Tapestry,” patente no London Heathrow Airport – Terminal 2.