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“Bridge Vibration” por Luísa Ramires

Descritivo da obra

O díptico Bridge Vibrations foi desenvolvido ao longo de duas residências na cidade de Nova Iorque: Mothership NYC e Kunstraum LLC. Tomam como ponto de partida o conceito de “ruído” – “noise” – que é uma presença constante em Nova Iorque.

O ‘ruído’ tem um significado lato, mas é aqui tido como um transmissor de informação retratada na cidade (Peter Krapp, Noise Channels, 2011). Pode ser visto como um excesso de informação. Esta informação é imposta por uma perceção que criamos do espaço, e da quantidade de dados que recolhemos. Pode ser revelada em variados formatos, como no som dos carros a passar nos viadutos, o som do metro, do ar- condicionado, e de forma visual na construção das pontes, andaimes, no padrão composto pelas inúmeras janelas, tijolos nas fachadas ou no fumo a sair das condutas de ventilação.

Os elementos utilizados na obra foram recolhidos em Brooklyn e Manhattan, onde há sempre algo a acontecer. A sobreposição de padrões e elementos remetem-nos para o mundo natural e geológico e redirecionam o trabalho para um tempo entre a lenta criação geológica e o ritmo acelerado da existência humana, particularmente na presença digital.

São necessários milhões de anos para a formação de uma rocha em oposição a um momento apenas que leva para o aparecimento de um glitch (Rosa Menkman, Glitch Manifesto, 2010). A relação metafórica e ao mesmo tempo antagónica entre a Natureza e o mundo tecnológico é aqui bastante importante. O processo baseia-se na técnica semi-mecânica da serigrafia. Luísa tira proveito da sua característica reprodutiva de copy-paste para repensar o múltiplo enquanto obra.

As obras aqui demonstradas são monotipias criadas através da repetição de uma parcela da matriz centenas de vezes.

Sobre Luísa Ramires

Luísa Ramires (Coimbra, 1994) concluiu a licenciatura em Pintura pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e o Mestrado em Mercados da Arte no ISCTE. Utiliza práticas artísticas como o desenho, a manipulação digital e a serigrafia têxtil. Foca a sua prática artística no domínio do digital, onde combina com técnicas manuais como a serigrafia têxtil. Através das lentes da nossa sociedade tecnológica a um ritmo acelerado, Luísa analisa a passividade geológica dos lugares. Desde 2016 que colabora com o Museu Nacional Machado de Castro e a Alzheimer Portugal na coordenação e concepção artística da exposição “Desenhar o Tempo – O Teste do Relógio”, que conta com 5 edições. Foi finalista em vários concursos e recebeu uma menção honrosa na Jovarte Bienal de Loures (2021) e o Prémio de Pintura D. Fernando II (2024). Participa regularmente em residências artísticas, entre as a “Bienale du Lin de Portneuf” no Quebec, Canadá (2023) em parceria com a Bienal Contextile, “Risco” na Alfaia, Loulé, Algarve (2024) e duas residências artísticas em Nova Iorque: Kunstraum LLC e Mothership NYC. Está presente em diversas publicações como FITA Magazine Vol. II (2021) e PEA – Portuguese Emerging Artists, Emerge (2024). O trabalho de Luísa está representado nas coleções municipais de Coimbra, Loures e Sintra, entre outras coleções privadas portuguesas, bem como pelo mundo, como na Nova Zelândia, Filipinas e Nova Iorque.