Os seus serviços ativos
Consulte ou cancele os seus serviços.

“Samambaia Não Possui Flores” por Vera Fonseka

Descritivo da obra

A samambaia, silenciosa e ancestral, atravessa eras sem fama e sem flores. Na era da inteligência artificial (IA), esta planta de frondes persistentes parece estar nos a perguntar: o que significa resistir sem se render ao fascínio de florescer?

É a partir dessa reflexão que nasce Samambaia não possui flores, que explora o diálogo entre o natural e o tecnológico, o orgânico e o artificial, a essência e a recriação.

O processo criativo da pintura incluiu tanto o gesto humano quanto o cálculo maquinal. Desenvolvida com ajuda de Procreate, Kandinsky 2.0 e ChatGPT, a obra é um testemunho de um momento peculiar da arte contemporânea: o entrelaçamento das capacidades humanas com o poder das máquinas. Os algoritmos representam coautores, pois ajudaram a modelar formas e padrões, propondo caminhos inesperados para o olhar. Visualmente, esta obra apresenta formas orgânicas entrelaçadas com estruturas abstratas repetitivas, sugerindo o crescimento natural das samambaias e a aprendizagem iterativa das IA’s. Os padrões circulares evocam ciclos eternos, enquanto as desconstruções e justaposições refletem um mundo fragmentado, onde o real e o digital se integram, de forma quase inseparável.

As cores, dominadas pelo rosa e pelo azul, são portadoras de uma narrativa própria. O rosa, com sua ambiguidade entre ausência e esperança, dialoga com o azul frio, símbolo da racionalidade tecnológica. Juntas, essas cores criam uma ponte entre memória e inovação, passado e futuro. Ligada aos valores do Centro Colombo – inovação, cultura e experiência –, a obra reflete a criatividade como um ato de resistência e adaptação. Na era da inteligência artificial, esta pintura não pretende competir com algoritmos, mas explorar como a arte pode ser mediadora. Na verdade, é um convite à reflexão: se até uma planta sem flores pode resistir e se transformar, o que pode a imaginação humana criar, mesmo perante um futuro influenciado por sistemas artificiais.

Sobre Vera Fonseka

Vera Fonseka nasceu em Tallinn, Estónia, e vive em Portugal desde 2003. Licenciou-se em Artes Plásticas – Pintura, pela Faculdade de Belas-Artes de Lisboa, em 2014, e expõe regularmente desde 2014. Destacam-se a exposição coletiva “FABLAB – Protocolo Experimental”, no Museu Nacional de Tapeçaria de Portalegre (2014), e a exposição individual “Semi- Automatic Sweet”, na Galeria António Prates (2015). Em 2017, foi convidada a participar no festival PA-REDES, em Lisboa. Representada pela Galeria António Prates desde 2015, Vera Fonseka é também artista residente no SAFRA (Artes e Entretenimento). Está presente em coleções particulares em Portugal e no estrangeiro, incluindo Estónia, Angola, Brasil e Moçambique.

Para além do percurso artístico, concluiu em 2023 o Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde pela FPUL – Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa. Desenvolve atualmente um projeto de atelier terapêutico, que integra a pintura com a Psicologia Clínica, promovendo a saúde mental dos participantes. Atua como psicóloga clínica no contexto de clínica privada, e é membro da Associação PsiRelacional. Vera é doutoranda em Pintura desde 2024 e foi professora de Desenho, Pintura e História da Arte no Centro de Explicações Aprender entre 2014 e 2018. Desde 2019, colabora em workshops de ateliês terapêuticos em instituições públicas e cooperativas na região de Lisboa.