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“Simetria da Fala” por Rodrigo Amarante Gomes

Descritivo da obra

Simetria da Fala é um conjunto de experimentos onde dois organismos artificiais desenvolveram a capacidade de desenvolver uma proto-língua. Ao contrário da natureza competitiva em que máquinas são postas em oposição – uma prática comum em treinos conhecidos como “Adversarial Machine Learning” ou GAN’s -, neste projeto, duas máquinas foram concebidas para colaborar e trabalhar em conjunto de forma a desenvolver um meio de comunicação através da partilha.

O seu treino, desenvolvido por Francisco Braga, partiu do reconhecimento e da sintetização de cantos guturais mongóis, caracterizados por frequências múltiplas e harmónicas sobrepostas. Tal como os cantos guturais podem transmitir diferentes sinais e significados que transcende a dimensão da palavra, as máquinas traduziram sons e imagens em ideias abstratas que constituíram uma base para a sua proto-língua.

O processo de aprendizagem incluiu ainda a transformação de palavras em vetores – abstrações e mapeamentos de imagens-ruído que representam conceitos e ideias – usando como recurso a biblioteca de livre acesso “ConvoKit”, desenvolvida a partir de um arquivo de conversas das páginas de discussão da Wikipédia que se transformam em ataques pessoais entre diferentes utilizadores.

Ao longo das últimas três décadas, temos alimentado a internet com uma vasta quantidade de informações, imagens, textos e outros tipos de interações que agora servem como base para o treino de sistemas algorítmicos. Neste esquema em que estamos inseridos, muitos dos eventos online e gerados por estas redes nunca existiram. Com isto, as simetrias das linguagens que introduzimos nesses sistemas são também responsáveis pelas assimetrias que ocorrem, originando contra factos da realidade. Produções de um novo tipo de realismo com recurso a cálculos estatísticos que transformam o falso em verdade e fóruns em espaços paradoxais de construção e pensamento coletivo.

Sobre Rodrigo Gomes

Rodrigo Gomes [PT, 1991] é artista e docente, vive e trabalha em Lisboa. O foco do seu trabalho reside na forma como as técnicas digitais e as hipertecnologias mediais filtram a realidade e influenciam aspetos socioeconómicos no mundo. Destacam-se algumas de suas participações em exposições, incluindo a individual “Whispering Mirrors” com curadoria de David Revés na Igrexa da Compañia em Santiago de Compostela (2023) e nas Carpintarias de São Lázaro em Lisboa (2021). Participou também de exposições coletivas, como “Frontpage Project” com curadoria de Eva Maragaki e Julia Sysalova no Melina Museum em Atenas (2023), “L’miroir d’un moment” com curadoria de Clément Thibault no Le Cube Garges em Paris (2023) e “Aspekt! Aspekt!” com curadoria de Piotr Krajewski no WRO Art Center em Wroclaw, Polónia (2019). Rodrigo Gomes participou em mostras e bienais internacionais, como “True Colour/ Real World?” por convite de Klio Krajewaska em Watermans Art Center, Londres (2022), Ibrida Festival, Flori, Itália (2021), 19th Media Art Biennale WRO, Wroclaw, Polónia (2021), D-Normal/ V-Essay Floating Projects, Hong Kong, China (2021, entre outros. Em reconhecimento ao seu trabalho, recebeu o prémio D-Normal/ V-Essay Awards de Floating Projects em Hong Kong, China, em 2021, o Prémio Black Raven The New Art Fest em Lisboa (2021), o Prémio de Mérito Jovem Revelação pelo Município de Silves (2019) e o Prémio Sonae Media Art no MNAC (2017).