O estilista francês Christian Dior surpreendeu com a sua coleção New Look em 1947. Criou mulheres florais com vestidos esvoaçantes e cinturas estreitas, transmitindo uma imagem de extrema feminilidade exagerada nos seus espartilhos. Nas palavras de Dior: “Estávamos a sair do período da guerra, dos uniformes, das mulheres-soldado que pareciam pugilistas”. As mulheres já não precisavam de se vestir dessa forma. Embora ainda houvesse escassez de leite e pão, as modelos de Dior desfilavam com as suas roupas caras.
Após a guerra, a década de 1950 assistiu ao surgimento de um novo tipo de sociedade de consumo: as roupas começaram a ser produzidas em massa e os carros eram fabricados de forma rápida e barata em linhas de montagem.
À medida que os homens regressavam das frentes de batalha, muitas mulheres tiveram de abandonar o trabalho que faziam durante a guerra e voltar para casa. Surgiram muitas tensões sociais e movimentos políticos, incluindo questões raciais. Nos Estados Unidos, o rock’n’roll tornou-se popular, dando origem a uma cultura jovem com James Dean na vanguarda. A moda tornou-se um importante meio de expressar a identidade, distinguido os “cool” dos “normais”.
“O meu objetivo final é fazer com que cada mulher se sinta e pareça uma condessa…”
— Christian Dior
A mala Kelly
A Hermès, casa de moda francesa especializada em alforjes e malas de viagem, lançou uma “mala postal feminina” (sac á dépêches pour dames) em 1935. Ganhou um maior destaque, em 1956, devido à atriz Grace Kelly, que a usou para esconder a sua gravidez dos paparazzi.
A popularidade da mala cresceu ainda mais quando a Hermès a chamou Kelly. A mala certamente não é um acessório acessível a todos, pois pode custar até 80 mil euros. A produção de apenas uma mala requer de 16 a 24 horas de trabalho e um total de 2.600 pontos costurados à mão. Geralmente é feita com pele de bezerro, mas também está disponível em pele de crocodilo, lagarto ou avestruz.
A mala Chanel
Batizada em homenagem à estilista francesa Gabrielle “Coco” Chanel, a mala é uma das criações de moda mais icónicas do século XX. Diz-se que Chanel se inspirou no seu ex-amante, o duque de Westminster, que adorava andar a cavalo.
O design da Chanel sempre foi guiado pelo princípio da liberdade de movimento. No entanto, as primeiras malas introduzidas no mercado em 1929 ainda tinham de ser transportadas à mão e eram, portanto, impraticáveis. Em 1955, a Chanel lançou uma mala com alça que surpreendeu a todos: a mala era agora adequada também para uma senhora distinta, não apenas para as mulheres do povo.
“O meu trabalho consiste em retirar o que outros adicionaram.”
— Coco Chanel
Uma década de moda
Mary Quant revolucionou o mundo da moda com a sua minissaia e micro shorts. A Londres agitada da década de 1960 deu origem ao estilo mod (mod = modernista), com a supermodelo Twiggy na vanguarda. Em 1967, os americanos celebraram o Verão do Amor, com São Francisco a tornar-se o centro da cultura hippie e da geração de flower power. Londres foi o berço da cultura das boutiques, com as suas ruas pedonais a exibirem constantemente novas lojas onde os jovens podiam comprar roupa à medida e empolgante.
Os designers de moda e artistas da época aplicaram ideias e materiais radicalmente diferentes nas suas criações. Por exemplo, vestidos esculpidos feitos de peças de alumínio de Paco Rabanne, a coleção Mondrian de Yves Saint Laurent, roupas metálicas e futuristas da era espacial e muitos outros estilos tornaram-se populares.
Da Jackie à Bouvier
A mala Jackie é tão icónica tanto quanto a própria marca Gucci. Foi lançada originalmente como uma mala unissexo, chamada Constance, em 1950.
Tornou-se num imediato sucesso assim que Jacqueline Kennedy Onassis foi vista a usá-la a tiracolo. A Gucci mudou o nome da mala de Constance para Jackie. As escolhas da ex-primeira-dama americana tinham grande impacto na moda.
A Gucci lançou sua nova mala Jackie em 2009. Pouco depois, foi renomeada como Bouvier em homenagem ao nome de solteira da Sra. Kennedy, mas voltou ao seu antigo nome alguns anos depois. Mais uma vez, mais tarde foi usado um ícone da moda para promover a mala: numa campanha de vídeo, a supermodelo britânica Kate Moss protege-se dos paparazzi com a ajuda da mala. Será que o nome mudará novamente no futuro?